13 de fev de 2013
Passei vários minutos pensando em como começar essa resenha.
Conheci Pat Peoples ontem à noite e não consegui largá-lo até ele me contar metade da sua história (OK, mentira. Eu já vi o filme O lado bom da vida e sabia praticamente tudo que ia acontecer, só que livros – como infinitamente melhores que os seus respectivos filmes, quase sempre – contam a história melhor e mais completa). Daí que eu acordo às 7h de la mañana da quarta-feira de cinzas e vou logo chamando Pat pra continuar a história.

Pat é um cara na casa dos 30 (ele não consegue decidir se tem 30 ou 35 mesmo, e logo você vai saber o porquê) que se declara “mentalmente perturbado”.  Sua mãe acabou de lhe tirar do “lugar ruim”, mais conhecido por clínica psiquiátrica, e ele está disposto a ser mais gentil do que ter razão para reconquistar sua ex-mulher Nikki e acabar seu tempo separados.
A nova vida de Pat se resume a muitos, mas muitos exercícios físicos mesmo, todos os dias. Ler clássicos da literatura americana (Nikki é professora de inglês e sugeria essas leituras aos alunos) e perseguir o lado bom da vida. Pat é um cara otimista, tenho que dizer. Com certeza essa NÃO foi a característica que me fez gostar tanto dele. Ele está vivendo uma fase de negação e sendo superprotegido por todos para que algumas verdades não o façam piorar novamente; o que o faz parecer muito ingênuo e isso é totalmente explícito pelo modo que ele narra a história, e sinceramente, a deixa mais engraçada, leve e rápida de ler.
Num jantar formal (ao qual ele comparece com sua camisa do time que a família e amigos são fanáticos, o Eagles) na casa de Ronnie, seu melhor amigo, ele é apresentado a Tiffany, uma viúva tão perturbada quanto Pat que vai ajudá-lo muito já que entende tudo sobre perda e culpa como Pat também entende.

O autor foi genial ao escrever esse enredo despretensioso e ‘ingênuo’ do POV de Pat, como já mencionei. Você se sente cego às situações como se fosse o próprio Pat, e as descobertas atacam você sem dar tempo pra seguir em frente com as coisas fazendo sentido. E acho que deve ser assim mesmo para pessoas com dificuldades psiquiátricas. As coisas não fazem sentido, ou até mesmo sentido DEMAIS, como a música do Kenny G (Huuuuummmmmm, 1, 2, 3... 9, 10).
Não vou me demorar mais dizendo o quanto cada personagem foi essencial pra história: o terapeuta Cliff, o irmão Jake, a mãe de Pat, o pai estranho de Pat, Tiffany e a própria Nikki. Todos os cenários pelos quais Pat passa demonstram o Pat-sozinho, o Pat-parte-de-algo (torcedor de time) e o Pat-com-Tiffany, que acaba sendo uma parte muito importante do filme que é a vida de Pat, um filme que ele quer muito um final feliz. Mas não sabe qual vai ser ainda.

Eu tô me segurando TANTO pra falar mais de cada parte dessas poucas 256 páginas que tinham tanto sentimento junto. É incrível como a gente percebe essas coisas depois que acaba de ler e quer contar a história pra outros... E olha que não estou falando de contar spoiler, é de falar sobre o livro mesmo.
Só espero que vocês tenham a oportunidade de conhecer Pat também, achar o mentalmente perturbado que há dentro de você e deixar-se ser um Holden Caulfied moderno como Pat, com uma parte que não quer crescer nunca.
Boa leitura. E vejam o filme também, por que não? Mas só depois do livro, pleeease, não façam como eu. Algumas coisas foram mudadas e apesar da Jennifer Lawrence (Jogos Vorazes) ser uma ótima atriz, não sei se ela deveria ter sido Tiffany, não era pra ser mais velha?

2sleep