15 de nov de 2012

Antes de falar sobre Tempo é dinheiro em si, tenho que falar os motivos que me levaram a ler esse livro. Vocês podem já ter ouvido falar de "Precisamos falar sobre o Kevin", outro livro dessa autora que já resenhei aqui e pelo qual sou alucinada. Foi basicamente por ler mais de Lionel que busquei Tempo é dinheiro, mas também por ter visto amigas como a Ba, do In Death, elogiarem muito. Bom, não é pra menos.

Shep Knacker é um cara que realmente gosta de trabalhar. Fundou uma empresa e a vendeu por uma quantia de vários dígitos na esperança de se mudar para um país subdesenvolvido onde seu dinheiro seria mais que suficiente para viver uma feliz Outra Vida. Após vários anos tendo seu sonho desacreditado pelos que conviviam, Shep finalmente toma coragem para deixar tudo para trás e partir... Até que sua mulher, Glynis, o informa que ela sofre de um câncer raríssimo e daí em diante seu dinheiro e sua Outra Vida parecem escorregar pelas mãos.
Ao mesmo tempo temos o melhor amigo de Shep, Jackson, um quase anarquista e revoltado com tudo pai de duas meninas doentes, uma com doença generativa rara chamada Disautonomia Familiar e outra com inveja da irmã. Seriously. Jackson e Carol, sua mulher, vão viver uma situação super estranha que a gente sente pena e vontade de rir ao mesmo tempo. Essa Lionel é boa.
Flicka, a menina com DF, é apenas um dos melhores personagens no livro. Afinal, ela não é obrigada a parecer uma feliz lutadora pela vida e toda essa porcaria, não é? Ela pensa exatamente isso. :)
Se eu fosse falar de todos os podres e coisas interessantes dos personagens, essa resenha não teria fim. Mas o que tirei no geral de todos eles, somado ao estilo de escrita de Lionel, foi a brutalidade com que se parecem com a humanidade. Seja a mesquinharia, orgulho e espírito de sugador da irmã de Shep, seja a mesma mesquinharia de Glynis quando queria que todos os que não estavam morrendo como ela morressem, seja a revolta de Jackson com o sistema ou a inveja da irmã de Flicka por não ter um tratamento especial dos pais por NÃO ser doente. Isso tudo somos nós, eu, você, seu pai, seu avô, o presidente da sua República, seu irmão mais novo. A humanidade é defeito, é feita de sugadores e sugados. E quase me deu vontade de dizer agora... "Money is the anthem of success".
Achei o livro extremamente maçante do início até a metade, senão mais. Mas sou persistente. E tem poucos diálogos, o que me agrada na maioria dos livros, mas nesse me deixou sempre querendo deixar a leitura pra mais tarde. Até a metade (ou um pouquinho mais à frente), onde tudo mudou e eu não conseguia parar até saber o que ia acontecer a todos e cada um.
Recomendo imensamente, se minha opinião lhes importa.
Um abraço!

2sleep