19 de ago de 2012

Ratos, Gordon Reece | Intrínseca | 2011, 1ª edição, 240 páginas
 

Ratos é um romance meio naturalista do ilustrador britânico Gordon Reece. Utilizando uma análise biológica da sociedade, o autor animaliza seus personagens de acordo com seus comportamentos e personalidades.
                Shelley é um rato. Elizabeth, sua mãe, é um rato. Submissos, dependentes, medrosos e sem opinião, os ratos estão por toda parte. Até que ponto alguém pode sofrer, ser humilhado e “engolir sapos”? Qual o limite de um rato?
                Shelley sofre bullying talvez não só por uma falta de adaptação aos novos costumes das “amigas” enquanto cresce, mas também por pura maldade das mesmas. Entre 15 e 16 anos, chega a ter que deixar a escola em que estudava por causa de um grave “acidente”.
                O pai de Shelley deixou sua mãe por uma mulher bem mais nova e agora as duas moram num chalé totalmente afastado da zona urbana, o Madressilva. Finalmente, elas acreditam que podem ser felizes longe do caos, seguras em sua toca, salvas dos “gatos”.
                Até que chega a noite do aniversário de 16 anos de Shelley e tudo muda.
A partir desse ponto não posso falar muito da história sem contar spoilers. Daqui em diante o enredo é denso e baseado nos limites que os ratos podem ou não ultrapassar.
                Em alguns momentos eu não encaixava essa história como um thriller psicológico, mas esses eram poucos. Em quase todo tempo, o efeito que a morte, a dor e o sofrimento causam em Shelley, que é a narradora, pode ser compreendido e sentido na pele. O crescimento do tom da narrativa é bem claro, tanto por causa da mudança no ambiente quanto pelo amadurecimento das personagens (que se iniciam fracas e sem propósito e terminam o oposto e sabendo por que fizeram tudo o que fizeram).
                É facílimo para o leitor sentir pena de Shelley no início, o comportamento das pessoas com ela é descrito de maneira que sintamos ódio por alguns personagens, simpatia ou piedade por outros. Mas a personalidade de Shelley talvez seja a que fique mais “escondida” e suas ações, apesar de maduras para alguns momentos, são imprevisíveis em outros.
Ratos é um livro bastante coerente e sólido. Esperava algo bem diferente dele. O fim me deixou com sensação de “está faltando alguma coisa” e acho que foi por isso que dei 4 estrelas. Mas é uma leitura sensacional =)


2sleep