24 de ago de 2012

Nas sombras, Jeri Smith-Ready | Galera Record | 2012, 1ª edição, 336 páginas
  
Já cansou de YA sobrenatural? Talvez você julgue mal “Nas sombras”, então. Eu, talvez por não estar tão saturada desse estilo de livro, dei uma chance assim que li a sinopse:
No futuro, um misterioso acontecimento (que ficará conhecido como Passagem) dará para os nascidos depois desta data a capacidade de ver e se comunicar com os mortos. Sendo uma dessas pessoas, Aura passa toda a sua vida tendo que lidar com essa condição. Quando o aniversário de 18 anos de seu namorado, Logan, se aproxima, Aura sabe que será o melhor de todos. A banda dele tem um megashow marcado e há uma festa planejada. Está tudo dentro dos planos, exceto Logan morrer de overdose... E voltar, se fazendo presente na vida de Aura exatamente como antes, só que roxo.
Lançado recentemente, esse livro é o primeiro de uma trilogia sobre fantasmas, escrita de maneira totalmente original apesar do tema batido. O legal é que a autora não deixa só os elementos imprescindíveis para agradar ao público que gosta de YA, mas também põe um pouco de distopia e crítica à sociedade. Aura, a protagonista e narradora, nasceu logo após um evento chamado “Passagem”, que mudou o mundo em que vivemos dando aos nascidos após essa data a habilidade de ver fantasmas.
O enredo é todo muito adolescente, sim, mas bem mais próximo da nossa realidade de 17, 18 anos do que em muitos livros YA por aí. Os personagens são complicados e as situações em que eles se veem, mais ainda; são muitas emoções conflitantes e coisas que costumam acontecer quando a gente é jovem e é tudo novidade. A autora deixa tudo mais envolvente pela maneira hábil com que ‘Nas sombras’ foi escrito. Só acho que as narrativas em primeira pessoa deixam sempre a desejar no que diz respeito às explicações do fenômeno da Passagem, por exemplo, como Aura desconhece as razões disso, nós acabamos ficando no mesmo nível que ela e recebendo informações aqui e ali. Mas acho que seja um ponto que a autora vai explicar melhor no próximo volume. Talvez por isso eu pense que o próximo livro consiga até superar este primeiro, mas também pela forma como acabou.
Quero ver como o já esperado – mas não maçante – triângulo amoroso vai ficar, estou ansiosíssima! Recomendo a todos que curtem o “gênero” e posso afirmar que adorei.


19 de ago de 2012

Ratos, Gordon Reece | Intrínseca | 2011, 1ª edição, 240 páginas
 

Ratos é um romance meio naturalista do ilustrador britânico Gordon Reece. Utilizando uma análise biológica da sociedade, o autor animaliza seus personagens de acordo com seus comportamentos e personalidades.
                Shelley é um rato. Elizabeth, sua mãe, é um rato. Submissos, dependentes, medrosos e sem opinião, os ratos estão por toda parte. Até que ponto alguém pode sofrer, ser humilhado e “engolir sapos”? Qual o limite de um rato?
                Shelley sofre bullying talvez não só por uma falta de adaptação aos novos costumes das “amigas” enquanto cresce, mas também por pura maldade das mesmas. Entre 15 e 16 anos, chega a ter que deixar a escola em que estudava por causa de um grave “acidente”.
                O pai de Shelley deixou sua mãe por uma mulher bem mais nova e agora as duas moram num chalé totalmente afastado da zona urbana, o Madressilva. Finalmente, elas acreditam que podem ser felizes longe do caos, seguras em sua toca, salvas dos “gatos”.
                Até que chega a noite do aniversário de 16 anos de Shelley e tudo muda.
A partir desse ponto não posso falar muito da história sem contar spoilers. Daqui em diante o enredo é denso e baseado nos limites que os ratos podem ou não ultrapassar.
                Em alguns momentos eu não encaixava essa história como um thriller psicológico, mas esses eram poucos. Em quase todo tempo, o efeito que a morte, a dor e o sofrimento causam em Shelley, que é a narradora, pode ser compreendido e sentido na pele. O crescimento do tom da narrativa é bem claro, tanto por causa da mudança no ambiente quanto pelo amadurecimento das personagens (que se iniciam fracas e sem propósito e terminam o oposto e sabendo por que fizeram tudo o que fizeram).
                É facílimo para o leitor sentir pena de Shelley no início, o comportamento das pessoas com ela é descrito de maneira que sintamos ódio por alguns personagens, simpatia ou piedade por outros. Mas a personalidade de Shelley talvez seja a que fique mais “escondida” e suas ações, apesar de maduras para alguns momentos, são imprevisíveis em outros.
Ratos é um livro bastante coerente e sólido. Esperava algo bem diferente dele. O fim me deixou com sensação de “está faltando alguma coisa” e acho que foi por isso que dei 4 estrelas. Mas é uma leitura sensacional =)


2sleep