21 de jul de 2012

Título original: Fiesta en la Madriguera
Tradução de Andreia Moroni Editora: Companhia das Letras
Autor: Juan Pablo Villalobos
ISBN: 9788535920260
2012, 1ª edição, 96 páginas, 4 estrelas


Difícil acreditar que “Festa no Covil” é o romance de estreia de Juan Pablo Villalobos. Sabe aquele livro que você sente a maturidade do autor emanando de cada página e te fazendo sentir várias coisas ao longo delas? Aquele livro que, mesmo com 90 e poucas páginas, deixa um impacto emocional equivalente a milhares?
Não sei se por o autor ser mexicano, algo diferente tenha despertado a coisa do “uau” com os personagens desse livro. A ambientação que foi criada deixou tudo mais sórdido e nefasto (duas palavrinhas que Tochtli ama).
Ah! Tochtli é filho de um chefe no narcotráfico mexicano e por isso vive confinado numa mansão e conta nos dedos o número de pessoas que conheceu na vida. A diferença dele e uma criança mimada “normal” (sério, crianças mimadas me irritam MUITO) é que a inocência e o modo de ver a vida dele foram moldados pela maneira que o pai dele vive. A morte é uma coisa totalmente patética, e dinheiro realmente não é problema. Tanto é que seu maior desejo no livro são hipopótamos anões da Sibéria. E, assim... ele consegue O.o
“O jogo é de perguntas e respostas. Um fala uma quantidade de tiros e uma parte do corpo, e o outro responde: vivo, cadáver ou diagnóstico reservado. – Um tiro no coração. – Cadáver. – Trinta tiros na unha do dedo mindinho do pé esquerdo. – Vivo. – Três tiros no pâncreas. – Diagnóstico reservado.”
Tochtli é metade criança, metade herdeiro de um chefão de máfia. Sem uma mãe por perto, desenvolve todas as características de frieza e desapego que o pai tem, por que, claro, ele não é um maricas.
Tenho que dizer: fiquei muito triste quando virei a última página de Festa no covil. Queria mais! A escrita de Juan Pablo é ótima, e ler a história pela ótica de Tochtli foi uma saída da minha zona de conforto... Afinal, ele não é uma criança como outra qualquer e isso fica bem claro na história. É rápido e cheio de uma inocência brutal ou, quem sabe, uma brutalidade inocente, que só poderia surgir quando se é filho de “El Rey”.
P.S.: A capa desse livro é LINDA!


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