5 de mar de 2012

Título original: The night circus
Tradução: Claudio CarinaEditora: Intrínseca
Autora: Erin Mogenstern
ISBN: 9788580571608
2012, 1ª edição, 368 páginas

Alguns de vocês devem ter sentido a atmosfera de ‘frisson’ que O circo da noite, lançado hoje pela editora Intrínseca, causou nos bookaholics; Outros só ouviram falar de mágica, romance, batalha... Eu não diria que este livro seja para crianças, pois ele tem um apelo Young Adult bem forte, mas, ao mesmo tempo, não posso classificá-lo como fantasia, sobrenatural, romance... O circo da noite veio para desafiar-nos a lhe dar qualificações. Seja na sua estante, seja no seu coração. A impressão que ficou da obra de Erin, para mim, foi que o grande protagonista foi o circo. E hoje o circo simplesmente está lá. Quando ontem não estava.
Sob suas tendas listradas de preto e branco uma experiência única está prestes a ser revelada: um banquete para os sentidos, um lugar no qual é possível se perder em um Labirinto de Nuvens, vagar por um exuberante Jardim de Gelo, assistir a uma contorcionista tatuada se dobrar até caber em uma pequena caixa de vidro ou deixar-se envolver pelos deliciosos aromas de caramelo e canela que pairam no ar. Por trás de todos os truques e encantos, porém, uma feroz competição está em andamento: um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, treinados desde a infância para participar de um jogo ao qual apenas um deles sobreviverá.À medida que o circo viaja pelo mundo, as façanhas de magia ganham novos e fantásticos contornos. Celia e Marco, porém, encaram tudo como uma maravilhosa parceria. Inocentes, mergulham de cabeça num amor profundo. Mas o jogo tem que continuar, e o destino de todos os envolvidos, do extraordinário elenco circense à plateia, está, assim como os acrobatas acima deles, na corda bamba.

Le cirque de rêves, ou O circo dos sonhos, é um circo vitoriano em preto e branco que será palco da batalha para a qual Celia e Marco vem se preparando para travar desde a infância. O enredo deveria ser focado nessa batalha entre os dois magos, mas por algum motivo (acredito que não intencional) da autora, as melhores partes do livro são as que tem a ver estritamente com o circo; a razão pela qual a batalha existe e até mesmo suas regras ficam obscuras no livro até praticamente o final, e quando é para ser revelado é uma coisa tão simplória que me vi chocada de ser dada tanta atenção ao lado do desafio, da luta, entre os mágicos. Se não fosse pelos outros elementos da história, certamente eu odiaria o livro por este fato.
E ‘os outros elementos da história’ aos quais me refiro estão ligados ao circo dos sonhos. Um circo diferente, que abre quando a noite cai e fecha ao amanhecer... um ‘banquete para os sentidos’. Um circo que dá a cada visitante a oportunidade da criação de sensações únicas, pois a cada visita feita, sempre tem uma nova tenda para ver e a noite nunca será a mesma. A vida nunca será a mesma.
Os fatos são narrados em diferentes linhas de tempo, pois só assim uma história pode adentrar a principal para que o fim aconteça. É tão ‘lento’, num sentido positivo, que é como se você não percebesse que a história está mudando. É, literalmente, como mágica. Uma vez que todos os ângulos da história são revelados, a maioria dos acontecimentos vai fazendo sentido e só se dá conta mesmo depois de vários POV’S (point of views) explorados. É exatamente como mágica. Intrigante até o fim, mas quando se revela você se reprime com um amuado “mas é óbvio, por que não pensei nisso antes?”
Apesar de toda a capacidade que a história teve de ser brilhante, fiquei com a sensação de que teria sido melhor explorada por outras mãos, vamos dizer assim. Os adjetivos que Erin usou na maior parte da descrição do circo foram muito, muito clichês. É claro, foi fluido, passou a sensação que prometeu, mas não me acrescentou muito como leitora, entendem? As sentenças eram literais, mas não tão líricas.
Vamos aos protagonistas...
O que foi isso com Celia e Marco? Por que eles tinham que ser os principais, mesmo? O livro era pra ser sobre eles, em algum momento, mas acabei por não conhecê-los profundamente e, talvez por isso, o romance deles não tenha me convencido o suficiente pra dizer que a rapidez com que as coisas aconteceram foi justificável. E aqui ainda entra a questão da falta de lirismo e profundidade de Erin. Enfim, Celia e Marco, pra mim, foram tediosos.
Já os rêveurs (sonhadores), um grupo de pessoas que ama muito o circo e o segue para onde for, meio que ‘fundado’ por Herr Thiessen (que construiu uma das obras que encanta os visitantes do circo) é um pessoal que agradeço Erin por ter criado... Deu um toque diferente à história, não ficou ‘por aquilo mesmo’ existir um circo tão belo e fascinante.
Poppet, Widget e Bailey (dos quais não posso falar muito) também ganharam meu coração. Me peguei lembrando de Harry Potter nessas horas...
Tenho certeza de que não foi a primeira intenção da autora fazer com que gostássemos mais dos personagens secundários que dos principais, mas fazer o que.
Se você gostou do romance de Twilight/Crepúsculo, vai gostar do romance de O circo da noite. Foi claramente mais bem escrito, mas a situação de amor sem qualquer explicação real tá ali no mesmo aspecto. Enfim, o livro tem muito potencial. Apesar de todos os pontos negativos, o circo e os positivos me ganharam for good.
4 estrelas e favorito nele!

 
ERIN MORGENSTERN é escritora e artista multimídia e define seu trabalho como "conto de fadas de um jeito ou de outro". Erin mora em Massachusetts.

Extras
   
O kit da Intrínseca e até eu de Rêveur/Rêveuse, sei lá!

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