8 de fev de 2012

Título original:
The Passage Editora: Sextante
Autor: Justin Cronin
Tradução: Ivanir Calado
ISBN: 9788599296820
2010, 1ª edição, 816 páginas Compare e compre: 



Olá, pessoas! Hoje é dia de resenha de um livro que conheci através da Ba do indeath.com.br. Eis que estou no twitter, num dia normal, e essa doidinha começa a SURTAR com A Passagem. A primeira coisa que fiz foi procurar saber sobre o que era e, adivinhem? Vampiros, fim do mundo, tudo junto *-* A segunda coisa que fiz (imediatamente depois, diga-se de Passagem – piadinha inútil haha) foi dar um jeito de ter esse livro! Não solicitei à Arqueiro, troquei no Skoob e correu tudo extremamente bem.
A Passagem é o primeiro livro de uma trilogia (The Passage, The Twelve e The City Of Mirrors), vejam a sinopse:
Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue.Depois, o inimaginável: ao escurecer, o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador.Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior. Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse.Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado.

Então, pra testar esse vírus secreto, foram usados caras que foram sentenciados à morte. Imagina, você sabe que vai morrer daqui a uns dias, meses, quem sabe, e alguém chega e te diz que pode te salvar daquilo. Será outra vida, como se eles tivessem mesmo sido mortos.
Só que além desses 12 caras usados no experimento militar, uma menina abandonada pela mãe, absolutamente sem nenhuma família ou ligações parentescas distantes (o tipo de pessoa que os militares procuram para a experiência) também é usada. O vírus colocado em Amy é uma evolução e melhoramento das últimas 12 tentativas, e ela acaba por ser diferente. Aquela que está à frente e atrás do Zero. Igual mas diferente.
Mas o abandono de Amy e a parte dos experimentos são só o início desse calhamaço de 816 páginas. A estória transcende décadas e o mundo como conhecemos hoje (ou, no caso do livro, em 2014 – ano do início da experiência militar) já não existe mais.
Alguns humanos sobrevivem num abrigo que o exército tinha construído para salvar a humanidade dos monstros que ele mesmo criou. Um deles é Peter, que vai descobrir uma força ao longo do livro que nem ele sabia que tinha. Sempre achando ser aquele que vive à sombra do irmão, Theo, Peter é um daqueles que a gente quer arrancar das páginas e balançar no colo.
Longe de ser um desses sobrenaturais que estamos acostumados a ler atualmente, com uma apelação para o público mais jovem, A Passagem é um livro muito denso e intrigante. A linguagem não é difícil e o estilo mais descritivo do autor talvez não agrade a todos, mas pra mim foi quase impossível de largar o livro até terminar. E assim que você termina tem que dar um tempinho aos neurônios porque a mensagem fica lá martelando na sua cabeça: quem sou eu? quem sou eu? quem sou eu?
Ver as prioridades que o novo estilo de sociedade que se desenvolve depois da catástrofe com os fumaças/virais/dracs/vampiros também faz a gente pensar em vários aspectos da vida que levamos hoje. Tudo o que prezamos e achamos importante, será mesmo tão imprescindível? Será que todas essas crenças, rituais em datas comemorativas, enfim... será que sem isso a humanidade não teria bases suficientemente fortes para continuar vivendo e transformando hierarquias, leis, “mandamentos”...?
Esses seres que nasceram do experimento, com sede de sangue e baixa tolerância ao sol, só tem isso de semelhante aos vampiros que você está acostumado (ou não, já que tem gente que não gosta de nada que tenha vampiros no meio) a ver por aí. Se você faz parte desse último grupo, o que não gosta de caninos avantajados, dê uma chance à Passagem. Garanto que não se arrependerá. Apesar de você não saber qual o sentimento ter em relação à história, aos personagens e ao autor na maioria do tempo (porque, sério, tem horas que você vai querer matar gente do livro, jogá-lo na privada, assassinar o autor, e depois você tá querendo que as coisas deem certo, sentindo pena, amor, é ainda assim não consegue parar de ler). Vai precisar nutrir uma grande força de vontade desde o início, porque essa leitura não é para todos. Como já disse... a carga de perturbação que esse livro traz para o leitor é bem pesada. É suspense do início ao fim, como a Ba disse: é um livro-catástrofe.
Devorei o livro, então não deu pra pegar tantos quotes quanto eu queria e, com certeza, o livro é cheio de ‘Passagens’ (olha a piadinha de novo) lindas que eu queria compartilhar com vocês.
Era uma vez uma menininha – disse Wolgast. – Menor do que você. O nome dela era Eva, e mãe e o pai dela a amavam muito (...) E então aconteceu uma coisa. Foi o coração. O coração dela, veja só – ele mostrou o lugar no peito onde o coração ficava – começou a encolher. Enquanto o corpo dela crescia, o coração, não. E então o resto do corpinho dela parou de crescer também. Ele teria dado seu coração a ela se pudesse, porque, na verdade, já era dela. Sempre havia sido e sempre seria. Mas não podia fazer isso, não podia fazer nada, ninguém podia, e, quando ela morreu, ele morreu com ela. O homem que ele era se foi. E o homem e a mulher não podiam mais se amar, porque agora seu amor não passava de tristeza e saudade da menininha (...) E então você veio, Amy. Então encontrei você. Está vendo? Foi como se ela tivesse voltado pra mim. Volte, Amy. Volte, volte, volte.
Ele ergueu o rosto. Abriu os olhos.
E Amy abriu os dela, também.

Não sou de chorar lendo, mas essa ‘passagem’ (não resisto!) me fez quase derramar umas lágrimas. Foi muito difícil pra mim resenhar esse livro, tanto porque gostei demais, quanto porque não poderia contar muita coisa nem que quisesse. Olha o tamanho que isso ficou! É super complexa a estória, então tem que ler! =D Vou sofrer esperando ‘Os doze’ ainda :/ Mas não me arrependo nadica de nada e recomendo MUITO esse livro. Todo o mundo devia ler. *-* Ah, A Passagem vai virar filme, viu?! Louca pra ver essa adaptação, já!
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Justin Cronin nasceu e foi criado na Nova Inglaterra. Concluiu a graduação em Harvard e hoje é professor da Rice University. Vencedor do PEN/Hemingway em 2002 com Mary and O’Neil, é também autor de The Summer Guest, lançado em 2004. Suas obras de ficção lhe renderam, ainda, os prêmios Stephen Crane, Whiting Writers’ e Pew Fellowship. A passagem, primeiro livro de uma trilogia, marca um novo momento em sua carreira e teve os direitos de adaptação para o cinema adquiridos pela Fox 2000. A história chegará às telas com direção de Ridley Scott. Cronin mora em Houston, no Texas, com a esposa e os filhos.

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