21 de jan de 2012

Título: Um dia
Editora: Intrínseca
Autor: David Nicholls
ISBN: 9788580570458
2011, 1ª edição, 416 páginas Compare e compre:
 
Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro.Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas - vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois.Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.


Sei que posso estar meio atrasada com a história de Dex e Emma, mas nunca é tarde demais para um bom livro, certo?
Um enredo real (até um certo ponto, se considerarmos o contexto), cheio de drama e bem diferente dos convencionais “garoto encontra garota” que estamos acostumados a ler atualmente. De início eu estava realmente achando pouco empolgante e me arrastei demais até começar a apreciar cada 15 de julho que Em e Dex passaram desde 1988.
As situações em que os personagens se encontram são realistas, no fundo; mas achei os próprios personagens um pouco forçados, suas personalidades tem tantas características extremas e opostas: como Dexter ser um idiota nascido em berço de ouro que se acha muito (além de o filho da mãe – sorry a obviedade – ser bonito pra caramba, o típico cara que faz tudo sem se preocupar com o futuro e acha que o mundo gira em torno de si mesmo) e Emma ser uma nerd, digo, mulher inteligente, que termina a graduação com louvor e acaba indo trabalhar com uma péssima companhia de teatro e depois numa lanchonete de comida mexicana ridícula, cheia de desconfianças no próprio potencial, se acha feia, gorda, etc e tal.
Depois de 1988 o único sentimento que pude nutrir pelos personagens foi raiva. Raiva porque eles não conseguiam chegar num consenso sobre aquilo que sentiam um pelo outro. A maior parte do tempo tiveram que se conformar que eram melhores amigos mesmo e era assim que se comportavam. Pelo menos Dexter. O idiota sempre fazia besteira e quando estava na pior dava um jeito de procurar por Emma, por que a bestona lá era a única que sempre estaria do lado dele (sim, se isto é estar na pior...).
Por outro lado, Emma sempre soube o que sentia por Dexter, acredito. Mas reprimiu o sentimento tão fortemente, que, mesmo nas vezes em que deixava transparecer um pouquinho, Dexter como um ótimo imbecil que é, estragava tudo. O fato de David Nicholls ser roteirista deixa algumas cenas bem “visuais”; o tipo de enredo que faz a gente se apegar mais ao livro, uma vez que conseguimos imaginar mais facilmente o que vai acontecendo aos mais-que-amigos Em e Dex. O diferencial do conceito de Um dia pra o de, por exemplo, Harry e Sally: feitos um para o outro, onde os recém formados também se veem esporadicamente e acabam se apaixonando, é que o autor de Um dia dá a impressão que o amor exisita desde o início da história. Dexter e Emma levaram muito tempo pra compreender que a amizade deles tinha se transformado em amor; e levaram um tempo maior ainda pra entender que essa amizade nasceu de um amor que já existia previamente.
No geral, o livro foi mais depressivo que romântico pra mim. Chega uma hora que Dexter acaba pagando pelas burradas que andava fazendo, e a crueldade e as punições pegam pesado com o leitor. Às vezes eu queria que eles não ficassem juntos, só por que Dexter é um idiota que não merecia Emma mesmo. Ela o ama tanto... e ele é tão... cego. Talvez tenha sido pela identificação que tive com Emma, mas ela nutriu um complexo de vítima tanto tempo que eu não conseguia vê-la reagindo ao que Dexter fazia com ela. Quase choro com “I love you, Dexter. I just dont like you anymore” do filme... ai ai… Mas a história de Um dia não é dessas que você deva ficar esperando um clímax ou um final que dê um jeito nas coisas... Quando você vai achando que o livro vai ser o que você previu, mais uma facada te atinge.
O livro é brilhante. Realmente muito bem escrito. Adorei demais a história, mas não acredito que chegarei a relê-la um dia. A sensação de que ficou faltando algo não me deixa. Talvez tenha sido a expectativa muito alta. Mas recomendo a leitura! Como disse... um livro brilhante.
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David Nicholls nasceu em 1966, em Hampshire, Inglaterra. Formado em literatura e teatro inglês, optou pela carreira de ator e recebeu uma bolsa da American Musical and Dramatic Academy de Nova York. De volta a Londres, atuou em espetáculos teatrais. Entre uma peça e outra, em Londres, Nicholls trabalhava como vendedor da rede de livrarias Waterstone’s. Após trabalhos freelance, conseguiu emprego como leitor de peças e pesquisador da BBC Radio Drama, o que o levou à edição de roteiros. Ao longo de sua notável carreira de roteirista, recebeu duas indicações ao BAFTA. Além de Um dia, publicou os romances Starter for Ten e The Understudy.

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