5 de jan de 2012

Título: O céu está em todo lugar
Editora: Novo Conceito
Autor: Jandy Nelson
ISBN: 9788563219374
2011, 1ª edição, 424 páginas
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Lennie Walker, obcecada por livros e música, tocava clarinete e vivia de forma segura e feliz, à sombra de sua brilhante irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre de forma abrupta, Lennie é lançada ao centro de sua própria vida, e, apesar de não ter nenhum histórico com rapazes, ela se vê, subitamente, lutando para encontrar o equilíbrio entre dois: um deles a tira da tristeza, o outro a consola. O romance é uma celebração do amor, também um retrato da perda. A luta de Lennie, para encontrar sua própria melodia em meio ao ruído que a circunda, é sempre honesta, porém hilária e, sobretudo, inesquecível.  



Antes de pensar que esse livro é de auto ajuda só de olhar pra capa ou de achar que ele é totalmente baseado na dúvida adolescente que uma menina tem entre dois garotos, tenho que lhe dizer: não é isso. Apesar de no começo O céu está em todo lugar passar uma aura bem triste, a narrativa em si não demonstra tanto o sofrimento de John Lennon (e isso é o nome de uma menina) ou Lennie, pela morte de sua irmã.

"Às 16h48 de uma sexta-feira de abril, minha irmã estava ensaiando para o papel de Julieta e, menos de um minuto depois, estava morta. Para minha surpresa, o tempo não parou com o coração dela. As pessoas continuaram indo à escola, ao trabalho, a restaurantes; continuaram quebrando bolachas salgadas em suas sopas, preocupando-se com as provas, cantando nos carros com as janelas abertas. Por vários dias, a chuva martelou o telhado da nossa casa — uma prova do terrível erro cometido por Deus. Toda as manhãs, quando me levantava, ouvia as incessantes batidas, olhava pela janela para a tristeza lá fora e me sentia aliviada, pois pelo menos o sol tivera a decência de ficar bem longe de nós."

O relacionamento de Lennie com a avó e com o tio está cada vez mais circunspecto. A mãe de Lennie e Bailey as abandonou quando elas ainda eram bem pequenas, desde então, Bailey como irmã mais velha sempre foi a rocha que servia de base para Lennie.
Toby, o namorado de Bailey, também sofre muito com a morte dela e é isso que aproxima ele de Lennie. Então toda vez que se veem se transforma, de um momento em que duas pessoas entendem o sofrimento da outra, em uma espécie de droga na qual eles pretendem dopar este sentimento.
Sinceramente, na narrativa no geral eu não sentia que Lennie estava sofrendo tanto. Apenas nas divisões de capítulo e nos momentos em que ela escreve em pedaços de papel, em copos de café ou qualquer coisa assim, sentimentos e diálogos que costumava ter com Bailey e ainda muitos poemas e pensamentos bem profundos que dão a entender que ela sofre muito mais do que aparenta. Achei um erro de Jandy nesse ponto, que foi mostrar duas Lennies onde não existia.
Também há o Joe Fontaine, um cara extremamente simpático que faz ela e a família se sentirem muito bem e esquecerem um pouco do sofrimento pela morte de Bails.
O livro em si é focado nesse sentimento que Lennie nutre tanto por Joe quanto por Toby, de maneiras diferentes. E o dilema todo é quem ela vai magoar e quem ela vai perceber que ama de verdade.
Acho que Lennie gostava de sofrer e fazer outras pessoas passarem pelo mesmo. Não se preocupava com a dor que causava na avó em nenhum momento, pois não era só Toby que sofria por Bailey e ela podia contar várias coisas a ela, se quisesse. Mas decidiu se fechar em torno dela mesma e da negação da morte, o que não era a saída.
Eu não gostei dela como personagen, mas o conflito que foi construído pela autora é interessante e vale a leitura. A narrativa que começou bem pesada fica leve e romântica no fim. Mas, no geral, não me atraiu. Vocês já devem saber que o livro é lindo, e é mesmo! Muito bem diagramado, com as letras azuis, cheio dos bilhetes que Lennie espalha por todo lugar. Bem bonito mesmo.
Dei 3 estrelas no Skoob por que não me senti atraída para a história e achei Lennie egoísta. Sei que tem muita gente me odiando a partir dessas últimas linhas, mas... fazer o que? Foi o que senti =/

Jandy Nelson mora em São Francisco, e lá, assim como Lennie, divide seu tempo entre cuidar das árvores e correr livremente pelo parque. Jandy é uma agente literária, poetisa com livros publicados, e acadêmica eterna. Formada pelas universidades de Brown, Cornell e Vermont. É uma pessoa supersticiosa e uma romântica dedicada, loucamente apaixonada pela Califórina, e pela forma como esse estado continua firme na ponta de um continente. O céu está em todo lugar é seu primeiro romance.

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