23 de dez de 2012
Nicholas Sparks dispensa apresentações, não é, minha gente? É um dos autores de romance mais aclamados dos últimos tempos e suas histórias, bem, vamos dizer que tem um quê de previsibilidade.

Com exceção para A escolha, talvez e vou lhes contar o porquê.

Travis Parker é veterinario em uma pequena cidade chamda Beaufort. Apaixonado por aventuras, esportes radicais e, claro, animais, Travis já viajou o mundo e namorou muito, mas agora só cuida de Moby, seu cachorro boxer.
Gabby é uma jovem auxiliar médica especializada em pediatria que se muda para Beaufort afim de morar mais perto de seu namorado, Kevin. Ah, e ela tem uma collie que provavelmente está grávida... E Gabby acha que Moby foi o responsável. E o primeiro encontro entre os dois vizinhos Travis e Gabby é devido a isso...
Satisfações tomadas, e Travis já sentindo algo diferente com ela, eles acabam passando um final de semana junto com a irmã e amigos de Travis e suas respectivas famílias (ele é o único solteirão, convenientemente...), se divertindo e se conhecendo melhor.

A história demora a chegar em um ponto que você diz: ah, agora algo vai mudar... Esse final de semana que Gabby e Travis passaram juntos foi a maior parte do livro e tudo seria, flores se você apenas se esquecesse do fato de que Gabby tem um namorado.

Daí você imagina facilmente que o título do livro é por causa da decisão que ela teria de tomar dali a pouco tempo. Só que não.

O prólogo do livro se passa muito tempo depois de quando a história aconteceu e mostra um Travis casado e à beira da separação. A gente só não sabe o motivo.
Você só pode ficar imaginando essas duas partes da história se juntarem de um jeito que fizesse sentido, mas é só isso que você pode fazer: imaginar.

Nicholas Sparks faz uma reviravolta extrema quae no fim do livro e estou começando a achar que vai virar um hábito dele, já que "Um homem de sorte" eu achei o final muito acelerado também. Só posso dizer que A escolha não tem nada a ver com o que quer que a gente preveja no início do livro e você se sente angustiado, triste, derrotado e tudo o que Travis também sente mais pro fim.

Foi uma experiência ótima poder ler mais esse livro de Nicholas Sparks. E, pra mim, foi o melhor dele que li até hoje.


Quer ganhar um Kit lindo desse livro? a Rafflecopter giveaway

15 de nov de 2012

Antes de falar sobre Tempo é dinheiro em si, tenho que falar os motivos que me levaram a ler esse livro. Vocês podem já ter ouvido falar de "Precisamos falar sobre o Kevin", outro livro dessa autora que já resenhei aqui e pelo qual sou alucinada. Foi basicamente por ler mais de Lionel que busquei Tempo é dinheiro, mas também por ter visto amigas como a Ba, do In Death, elogiarem muito. Bom, não é pra menos.

Shep Knacker é um cara que realmente gosta de trabalhar. Fundou uma empresa e a vendeu por uma quantia de vários dígitos na esperança de se mudar para um país subdesenvolvido onde seu dinheiro seria mais que suficiente para viver uma feliz Outra Vida. Após vários anos tendo seu sonho desacreditado pelos que conviviam, Shep finalmente toma coragem para deixar tudo para trás e partir... Até que sua mulher, Glynis, o informa que ela sofre de um câncer raríssimo e daí em diante seu dinheiro e sua Outra Vida parecem escorregar pelas mãos.
Ao mesmo tempo temos o melhor amigo de Shep, Jackson, um quase anarquista e revoltado com tudo pai de duas meninas doentes, uma com doença generativa rara chamada Disautonomia Familiar e outra com inveja da irmã. Seriously. Jackson e Carol, sua mulher, vão viver uma situação super estranha que a gente sente pena e vontade de rir ao mesmo tempo. Essa Lionel é boa.
Flicka, a menina com DF, é apenas um dos melhores personagens no livro. Afinal, ela não é obrigada a parecer uma feliz lutadora pela vida e toda essa porcaria, não é? Ela pensa exatamente isso. :)
Se eu fosse falar de todos os podres e coisas interessantes dos personagens, essa resenha não teria fim. Mas o que tirei no geral de todos eles, somado ao estilo de escrita de Lionel, foi a brutalidade com que se parecem com a humanidade. Seja a mesquinharia, orgulho e espírito de sugador da irmã de Shep, seja a mesma mesquinharia de Glynis quando queria que todos os que não estavam morrendo como ela morressem, seja a revolta de Jackson com o sistema ou a inveja da irmã de Flicka por não ter um tratamento especial dos pais por NÃO ser doente. Isso tudo somos nós, eu, você, seu pai, seu avô, o presidente da sua República, seu irmão mais novo. A humanidade é defeito, é feita de sugadores e sugados. E quase me deu vontade de dizer agora... "Money is the anthem of success".
Achei o livro extremamente maçante do início até a metade, senão mais. Mas sou persistente. E tem poucos diálogos, o que me agrada na maioria dos livros, mas nesse me deixou sempre querendo deixar a leitura pra mais tarde. Até a metade (ou um pouquinho mais à frente), onde tudo mudou e eu não conseguia parar até saber o que ia acontecer a todos e cada um.
Recomendo imensamente, se minha opinião lhes importa.
Um abraço!

8 de out de 2012

Gêmeas, não se separa o que a vida juntou | Mônica de Castro | Vida & Consciência, 512 páginas


Primeiro de tudo, eu nunca tinha lido nenhum livro de mensagem espírita (exceto As vidas de Chico Xavier, que é meio biográfico, então não tem muito a ver com esse aqui) como ‘Gêmeas’. O interesse pela leitura nem partiu de mim, pra ser sincera. Uma das meninas do Book Club da minha cidade perguntou se eu já tinha lido ou mesmo tinha o livro, por que pela sinopse ela achou super massa.

“Gêmeas têm como cenários o interior do Mato Grosso e as cidades do Rio de Janeiro e Brasília. No enredo, duas irmãs gêmeas recém nascidas são vendidas pela mãe e, assim, separadas ao nascer. O pai das crianças, ao descobrir a negociata, é assassinado ao tentar evita-la. A trama, a partir dessas fatalidades, é repleta de situações aparentemente eventuais que vão moldando a vida de mãe e filhas até que o inevitável reencontro acontece.”

Não achei que fosse um ‘romance espírita’, ficou parecendo bem mais um suspense, no fim das contas. A sinopse mesmo fala de uma série de acontecimentos que parecem ser coincidências, mas  acabam se mostrando a trama do destino, fatal e certeiro.

“A história, que começa em meados da década de 80, mostra como a espiritualidade pode interferir em nossa vida terrena e nos ensina que as casualidades, sincronicidades e coincidências nada mais são do que a aplicação das leis cósmicas e perfeitas que Deus criou para nos auxiliar na trajetória da nossa evolução.
A falta de conhecimento sobre a espiritualidade, no entanto, muitas vezes impede que tenhamos uma visão mais real da vida e do quanto ela é generosa, sempre favorecendo o nosso crescimento. Afinal, a vida colabora com nosso desenvolvimento, mas exige que cada um faça a sua parte.”

O livro é narrado por vários personagens ao longo do livro e pra mim isso foi um ponto bem positivo; só que havia momentos que essa troca era feita sem “aviso prévio”, você meio que tinha que adivinhar que aquela fala não era de certo personagem. Houve alguns erros de revisão, que não me incomodaram em absoluto, por que eu me via presa à história e cada capítulo que vinha eu falava “ah, só mais um e eu durmo... só mais unzinho!”. Gostei muito da diagramação, tamanho da letra etc.
Apesar de parecer que tem uma mensagem religiosa forte, o livro é mais sobre encontrar a si mesmo e perdoar a si e aos outros. Foi mais um livro nacional que veio pra me dizer: olha aí quanto talento nesse Brasil. Recomendo e achei MUITO BOM!


21 de set de 2012

Genteee! Apresento a vocês Katia Macedo, Katis, que vai ser resenhista aqui no blog também!
Katis é da minha cidade e o amor pelos livros é um ponto em comum nosso :D Seja bem vinda, Katiaaa, espero que goste da experiência!



O livro conta a historia de Katherine Patterson que depois de uma tragédia familiar passa a morar em Sydney, Australia. E apesar de quer uma vida solitária, sem amigos, ela acaba conhecendo a bela e popular Alice.
Alice é uma menina aparentemente rica que gosta de dar festas e tem muitos amigos de todas as idades, apesar de ter só 18 anos. Com o tempo, Katherine percebe que Alice não é tão amiga quanto aparenta e, após uma série de acontecimentos, decide cortar relações com Alice e percebe que não será tão fácil assim...
Essa historia mexeu muito comigo, pois a relação de amizade entre Katherine e Alice é muito normal à primeira vista. Mas com o andar da historia vemos que Alice não é bem o que parece e, apesar da beleza, ela carrega uma maldade infinita dentro de si.
O livro é dividido em 2 partes. Na primeira parte os capítulos são divididos em três momentos da vida de Katherine: o primeiro,  que vai tomar o mais tempo da historia, é quando Katherine conhece Alice e vemos como será desenvolvida sua amizade; o segundo é em que sabemos o por quê de Katherine ter se mudado de Melbourne para Sydney e o terceiro que é Katherine agora aos 22 anos vivendo com seus pais e sua filha. N
Nessa primeira parte a historia é mais focada no acontecimento de Melbourne. Já a segunda parte do livro é o resto da historia sobre a amizade de Alice e Katherine e como ela vive hoje em dia.
Durante a historia temos transições de personagens todo momento; e o que me surpreendeu é que teve personagens que poderiam facilmente ter sido só de passagem mas que acabam tendo função fundamental no desenvolvimento. Nada do que é mostrado na historia é em vão, sempre na frente vai ter uma porquê daquela cena anterior. Achei que a historia foi bem amarrada, todos os pontos fechados no final da historia. E que final surpreendente! Acho que nunca tinha lido nenhum livro que me surpreendesse mais, não sei se é porque eu adoro um suspense e aquele feeling que vai chegando quando você vai lendo... e vendo o que realmente vai acontecer ANTES de acontecer. Adoro esse feeling em livro e filme então... o final foi amazing.
Um dos pontos interessantes da historia é que com esse passado e futuro, durante toda a historia vemos que algo aconteceu de muito grave e ficamos naquela tensão: o que aconteceu? E mesmo quando descobrimos o que aconteceu na cidade natal ainda vem mais perguntas, ela nos deixa preso todo o momento...
Super recomendo a todos esse livro, muito bem construído e com uma historia surpreendente. Acho que está bom porque se não vou começar a dá spoiler aqui e não é muito legal, né? Então é isso espero que gostem dessa minha primeira resenha aqui para o BlackBird Lonely, e qualquer sugestão será bem vinda. E se não agradei muito desculpa, mas essa é a minha primeira resenha e tentarei melhorar.  
Tenho várias Quotes que adoreeeii, mas algumas delas são:
Os próprios trilhos foram arrancados debaixo de mim, despregados do chão, destruídos”
“Será que tenho que me sentir mal para sempre? Minha vida inteira? Será esse o meu castigo por estar viva?”
“As consequências de uma única má escolha podem ser devastadoras. Vivo com elas todos os dias.”
“A culpa se espalharia por todos os lados, atingindo todo mundo... como um veneno.”
“Estou me divertindo demais para dar ouvidos à vozinha de advertência que começa a soar em minha cabeça.”

24 de ago de 2012

Nas sombras, Jeri Smith-Ready | Galera Record | 2012, 1ª edição, 336 páginas
  
Já cansou de YA sobrenatural? Talvez você julgue mal “Nas sombras”, então. Eu, talvez por não estar tão saturada desse estilo de livro, dei uma chance assim que li a sinopse:
No futuro, um misterioso acontecimento (que ficará conhecido como Passagem) dará para os nascidos depois desta data a capacidade de ver e se comunicar com os mortos. Sendo uma dessas pessoas, Aura passa toda a sua vida tendo que lidar com essa condição. Quando o aniversário de 18 anos de seu namorado, Logan, se aproxima, Aura sabe que será o melhor de todos. A banda dele tem um megashow marcado e há uma festa planejada. Está tudo dentro dos planos, exceto Logan morrer de overdose... E voltar, se fazendo presente na vida de Aura exatamente como antes, só que roxo.
Lançado recentemente, esse livro é o primeiro de uma trilogia sobre fantasmas, escrita de maneira totalmente original apesar do tema batido. O legal é que a autora não deixa só os elementos imprescindíveis para agradar ao público que gosta de YA, mas também põe um pouco de distopia e crítica à sociedade. Aura, a protagonista e narradora, nasceu logo após um evento chamado “Passagem”, que mudou o mundo em que vivemos dando aos nascidos após essa data a habilidade de ver fantasmas.
O enredo é todo muito adolescente, sim, mas bem mais próximo da nossa realidade de 17, 18 anos do que em muitos livros YA por aí. Os personagens são complicados e as situações em que eles se veem, mais ainda; são muitas emoções conflitantes e coisas que costumam acontecer quando a gente é jovem e é tudo novidade. A autora deixa tudo mais envolvente pela maneira hábil com que ‘Nas sombras’ foi escrito. Só acho que as narrativas em primeira pessoa deixam sempre a desejar no que diz respeito às explicações do fenômeno da Passagem, por exemplo, como Aura desconhece as razões disso, nós acabamos ficando no mesmo nível que ela e recebendo informações aqui e ali. Mas acho que seja um ponto que a autora vai explicar melhor no próximo volume. Talvez por isso eu pense que o próximo livro consiga até superar este primeiro, mas também pela forma como acabou.
Quero ver como o já esperado – mas não maçante – triângulo amoroso vai ficar, estou ansiosíssima! Recomendo a todos que curtem o “gênero” e posso afirmar que adorei.


19 de ago de 2012

Ratos, Gordon Reece | Intrínseca | 2011, 1ª edição, 240 páginas
 

Ratos é um romance meio naturalista do ilustrador britânico Gordon Reece. Utilizando uma análise biológica da sociedade, o autor animaliza seus personagens de acordo com seus comportamentos e personalidades.
                Shelley é um rato. Elizabeth, sua mãe, é um rato. Submissos, dependentes, medrosos e sem opinião, os ratos estão por toda parte. Até que ponto alguém pode sofrer, ser humilhado e “engolir sapos”? Qual o limite de um rato?
                Shelley sofre bullying talvez não só por uma falta de adaptação aos novos costumes das “amigas” enquanto cresce, mas também por pura maldade das mesmas. Entre 15 e 16 anos, chega a ter que deixar a escola em que estudava por causa de um grave “acidente”.
                O pai de Shelley deixou sua mãe por uma mulher bem mais nova e agora as duas moram num chalé totalmente afastado da zona urbana, o Madressilva. Finalmente, elas acreditam que podem ser felizes longe do caos, seguras em sua toca, salvas dos “gatos”.
                Até que chega a noite do aniversário de 16 anos de Shelley e tudo muda.
A partir desse ponto não posso falar muito da história sem contar spoilers. Daqui em diante o enredo é denso e baseado nos limites que os ratos podem ou não ultrapassar.
                Em alguns momentos eu não encaixava essa história como um thriller psicológico, mas esses eram poucos. Em quase todo tempo, o efeito que a morte, a dor e o sofrimento causam em Shelley, que é a narradora, pode ser compreendido e sentido na pele. O crescimento do tom da narrativa é bem claro, tanto por causa da mudança no ambiente quanto pelo amadurecimento das personagens (que se iniciam fracas e sem propósito e terminam o oposto e sabendo por que fizeram tudo o que fizeram).
                É facílimo para o leitor sentir pena de Shelley no início, o comportamento das pessoas com ela é descrito de maneira que sintamos ódio por alguns personagens, simpatia ou piedade por outros. Mas a personalidade de Shelley talvez seja a que fique mais “escondida” e suas ações, apesar de maduras para alguns momentos, são imprevisíveis em outros.
Ratos é um livro bastante coerente e sólido. Esperava algo bem diferente dele. O fim me deixou com sensação de “está faltando alguma coisa” e acho que foi por isso que dei 4 estrelas. Mas é uma leitura sensacional =)


21 de jul de 2012

Título original: Fiesta en la Madriguera
Tradução de Andreia Moroni Editora: Companhia das Letras
Autor: Juan Pablo Villalobos
ISBN: 9788535920260
2012, 1ª edição, 96 páginas, 4 estrelas


Difícil acreditar que “Festa no Covil” é o romance de estreia de Juan Pablo Villalobos. Sabe aquele livro que você sente a maturidade do autor emanando de cada página e te fazendo sentir várias coisas ao longo delas? Aquele livro que, mesmo com 90 e poucas páginas, deixa um impacto emocional equivalente a milhares?
Não sei se por o autor ser mexicano, algo diferente tenha despertado a coisa do “uau” com os personagens desse livro. A ambientação que foi criada deixou tudo mais sórdido e nefasto (duas palavrinhas que Tochtli ama).
Ah! Tochtli é filho de um chefe no narcotráfico mexicano e por isso vive confinado numa mansão e conta nos dedos o número de pessoas que conheceu na vida. A diferença dele e uma criança mimada “normal” (sério, crianças mimadas me irritam MUITO) é que a inocência e o modo de ver a vida dele foram moldados pela maneira que o pai dele vive. A morte é uma coisa totalmente patética, e dinheiro realmente não é problema. Tanto é que seu maior desejo no livro são hipopótamos anões da Sibéria. E, assim... ele consegue O.o
“O jogo é de perguntas e respostas. Um fala uma quantidade de tiros e uma parte do corpo, e o outro responde: vivo, cadáver ou diagnóstico reservado. – Um tiro no coração. – Cadáver. – Trinta tiros na unha do dedo mindinho do pé esquerdo. – Vivo. – Três tiros no pâncreas. – Diagnóstico reservado.”
Tochtli é metade criança, metade herdeiro de um chefão de máfia. Sem uma mãe por perto, desenvolve todas as características de frieza e desapego que o pai tem, por que, claro, ele não é um maricas.
Tenho que dizer: fiquei muito triste quando virei a última página de Festa no covil. Queria mais! A escrita de Juan Pablo é ótima, e ler a história pela ótica de Tochtli foi uma saída da minha zona de conforto... Afinal, ele não é uma criança como outra qualquer e isso fica bem claro na história. É rápido e cheio de uma inocência brutal ou, quem sabe, uma brutalidade inocente, que só poderia surgir quando se é filho de “El Rey”.
P.S.: A capa desse livro é LINDA!


11 de jul de 2012

Título original: Tiger’s Quest Editora: Arqueiro
Autora: Colleen Houck
ISBN: 9788580410617
2012, 1ª edição, 432 páginas 

Lembram-se do primeiro livro dessa série, A maldição do tigre, e de como eu estava excitada mais uma vez com outra série na vida? Pois O resgate do tigre foi como uma chuveirada fria nesse sentimento. Algumas das coisas que me impressionaram muito desde o primeiro livro foram: o fato de a história ser protagonizada por tigres e se passar no universo da cultura indiana, algo ainda mais inédito. Além de o primeiro livro ter sido lançado primeiramente em e-book e a autora ter visto se tornar um sucesso de “uma hora pra outra”. Não sei se isso subiu muito à cabeça dela a ponto de decidir aumentar o número de livros da série de 3 para 5 (o que tem na cabeça dessas pessoas? quero-mais-dinheiro-quero-mais-dinheiro... )
Talvez também pela ânsia de agradar um número maior de pessoas e abarcar uma grande quantidade de fãs, Colleen deturpou alguns “valores” que pregou no primeiro livro e que tinham dado certo, isto é, feito ele o sucesso que foi.
Preciso dizer: a Kelsey continua uma idiota. Uma completa idiota... Só pra relembrar (quem não leu o primeiro livro, pula esse parágrafo, AGORA!) ela simplesmente deu um pé na bunda em Ren no finalzinho d’A maldição. EM REN! Pelo amor de Deus, que pessoa em plenas faculdades mentais faria uma coisa dessas?
E é tão chato ela continuar essa porta que é, por que o livro todo é em primeira pessoa... e, deuses, como é difícil tentar ver a história por outro ângulo que não só o dela. Por que ela tem que ser tão estranha e nem ter amigos além da família e os irmãos gêmeos? Aff, que antissocial.
Os irmãos Kishan e Ren (mais Kishan) são o foco neste segundo livro – posso até dizer na série em geral, apesar de Kelsey aparecer com um poderzinho meio estranho enquanto procura outro artefato pra salvar os ‘gatinhos’ (não me controlo com piadinhas) da maldição.
Adorei ter conhecido mais Kishan por que, na verdade, eu prefiro muito mais a personalidade dele que a de Ren. Bad boy que no fundo é um manteigão apaixonado, Don Juan, porém sensível e, claro, lindo de viver, mesmo que só por 6h como humano.
Kelsey Hayes nunca imaginou que seus 18 anos lhe reservassem experiências tão loucas. Além de lutar contra macacos d’água imortais e se embrenhar pelas selvas indianas, ela se apaixonou por Ren, um príncipe indiano amaldiçoado que já viveu 300 anos. Agora que ameaças terríveis obrigam Kelsey a encarar uma nova busca – dessa vez com Kishan, o irmão bad boy de Ren –, a dupla improvável começa a questionar seu destino. A vida de Ren está por um fio, assim como a verdade no coração de Kelsey. Em O Resgate do Tigre, a aguardada sequência de A Maldição do Tigre, os três personagens dão mais um passo para quebrar a antiga profecia que os une. Com o dobro de ação, aventura e romance, este livro oferece a seus leitores uma experiência arrebatadora da primeira à última página.
A narrativa me faz lembrar, tipo, MUITO Crepúsculo e, EWWWW, isso é péssimo! Além da Colleen ter focado muito da indecisão da Kelsey entre os irmãos, a parte do romance parece que anuviou a mente dela pra outras coisas. Mas ok. Algumas dessas coisas eu realmente preferi em detrimento do primeiro livro.
Apesar de tudo, a gente consegue ver o amadurecimento na maioria dos personagens da história e eu, sinceramente, espero que o próximo livro seja melhor. Até por que o gancho que ela deixou para o subsequente é muuuito revoltante e dá pra trabalhar em várias direções. Fica entre 3 e 4 estrelas.


28 de jun de 2012


Título original: Why we broke up
Editora: Cia das Letras
Autor: Daniel Handler
ISBN: 9788535920239
2012, 1ª edição, 368 páginas


Acredito que vocês saibam quem é Lemony Snicket, autor de Desventuras em Série. Bom, ele é Daniel Handler. Mas não esperem de “Por isso a gente acabou” o mesmo tipo de leitura que “Desventuras em série” (não li ainda, mas pelo que pesquisei, tem nada a ver!).
“Por isso a gente acabou” é, na verdade, uma carta que Min escreve a Ed, com quem teve uma curta, mas intensa história de amor adolescente. Tudo isso se encerra dentro de uma caixa simples, com ingressos de cinema, tampinhas de garrafa e mais um lote de lembranças de um namoro que, a gente já sabe desde o início, acabou.
Por isso a gente acabou trata, com a comicidade típica do autor, de uma situação difícil pela qual todos um dia irão passar: o fim de uma relação amorosa e toda a angústia, tristeza e incerteza que essa vivência pode gerar. Min Green e Ed Slarteron estudam na mesma escola e, depois de apenas algumas semanas de convívio intenso e apaixonado, acabam o namoro. Depois de sofrer muito, Min resolve, como marco da ruptura definitiva, entregar ao garoto uma caixa repleta de objetos significativos para o casal junto com uma carta falando sobre cada um desses objetos e do episódio que ele representou, sempre acrescentando, ao final, uma nova razão para o rompimento. Essa carta é o texto de Por isso a gente acabou, que é, assim, carregado de um tom informal e tragicômico - características da personagem - e traduz com um misto de simplicidade e profundidade a história de uma separação. Imerso neste universo adolescente, o leitor conhecerá a divertida personalidade de Min, uma garota apaixonada por filmes cujo sonho é ser diretora de cinema, e as idas e vindas deste romance, desde o dia em que os dois conversaram pela primeira vez até o instante em que tudo acabou. A artista Maira Kalman, autora de diversas capas da revista The New Yorker, ilustrou cada um dos objetos da narrativa, trazendo cor e descontração a esta história dolorida.
A Cia das Letras fez um trabalho lindo “remontando” a caixa onde Min põe todos os motivos pelos quais ela e Ed acabaram. A coisa mais linda, sério. As ilustrações do livro são lindas e são praticamente imprescindíveis à leitura.
O livro é escrito do ponto de vista de Min (e não podia ser diferente, já que se fosse pelo de Ed, grrr, ia ser tão pobre que caberia num post-it – palavras do Mr. Handler, sorry). A narrativa de Daniel é realmente muito boa de acompanhar, flui de uma maneira despretensiosa, em que a gente se pega sentindo tudo que Min sente.
“Estou escrevendo, nesta carta, toda a verdade sobre o que aconteceu. E a verdade é que, porra, eu te amei demais.”
Pra falar a verdade, a história em si não me ganhou. Não tinha potencial nenhum pra me ganhar, desde o princípio. Garota ingênua “das artes” apaixonada pelo carinha mais popular etc e tal... Fala sério. O que me ganhou foi o jeito de explicar cada objeto “sem importância” pra Ed porque era cheio de significância pra Min. E me tocou o fato de eu mesma fazer isso com várias coisas na vida, dar valor a lembranças, pequenas falas e toques descuidados que marcam a memória de uma garota (por mais idiota que isso seja, a maioria de nós se agarra a pequenas coisas). Afinal, são os detalhes que fazem a diferença.
Assim, o livro em si não é uma leitura que mude sua vida, mas é bom. ;)
Conheçam o site oficial do livro (lindinho) http://whywebrokeupproject.tumblr.com/

Nasceu em 1970, em San Francisco, EUA, onde mora até hoje. Sob o pseudônimo de Lemony Snicket, publicou Raiz-forte e a coleção Desventuras em Série, pela Cia. das Letras, e os livros Lemony Snicket: autobiografia não autorizada e O pedacinho de carvão, pela Companhia das Letrinhas.



10 de jun de 2012

Editora: Vida e Consciência
Autor: Joachim Masannek e Jan Birck
ISBN: 9788577221639
2011, 1ª edição, 152 páginas


E Os Feras estão de volta! Lembram de Leo, o driblador? O primeiro da série infanto-juvenil que eu disse que adoraria acompanhar? Pois é, Zezinho, a sétima cavalaria, é o nono livro dessa série (que pode ser lida fora de ordem, segundo dizem).
Zezinho é o mais novo da turma, mas gora no sétimo aniversário, Zezinho quer mostrar a seus amigos que realmente merece estar nos Feras. Vai enfrentar uma “gangue” de skatistas (Bonés Flamejantes) praticamente sozinho e mostrá-los que dois mundos tão diferentes (do futebol e do skate) podem, sim, coexistir. Mas antes disto... os Bonés ameaçam os Feras com um decreto de fim do time. Fazendo de tudo para destruir os pequenos jogadores de futebol, os skatistas mais velhos até roubam as camisas oficiais das partidas.
Mas os Feras se mantém fortes e acabam transformando os Bonés Flamejantes em parceiros para ganhar o campeonato.
“A importância de ter medo e de superá-lo, além de enfrentar as dificuldades de amadurecer e possuir responsabilidades e de ser sempre quem você realmente é, são temas que esta obra oferece a seus jovens leitores.”
Livro super recomendado para a faixa etária a que se propõe a leitura, além de ter ilustrações do Jan Birck super lindas.
Dei 4 estrelas justamente por que achei MUITO BOM em relação ao propósito do livro. Enjoy!


2 de jun de 2012

E vocês, o que leram? Concordam com as "rates" que pus nos livros de maio? Beijos!



23 de mai de 2012
Não, não é uma miragem... É nova resenha no BBL :O
Título original: Delirium
Editora: Intrínseca
Autora: Lauren Oliver
ISBN: 9788580571646
2012, 1ª edição, 342 páginas


Distopia. Você já ouviu falar? É utopia, só que ao contrário.
Antes de começar a resenha, veja como a Iris, do Literalmente Falando, define esse “gênero” literário que vem bombando ultimamente:
“"Distopia" também pode ser chamado de "antiutopia". Ou seja, se utopia é uma civilização ideal, a antiutopia, ou distopia, é o contrário disso. Em um primeiro momento, a sociedade distópica parece ideal e ela pode ocorrer num futuro ou em um presente/passado paralelo. Em uma distopia, há sempre alguém controlando tudo - seja uma organização ou o próprio Estado. As regras ditadas são rígidas e parecem ter sido criadas para o bem comum, mas no decorrer da história, percebemos que elas só favorecem uma minoria e segregam a maioria. Distopias geralmente tratam sobre controle e são alegorias à nossa sociedade. As obras distópicas sempre trazem um questionamento sobre nossos valores sociais e políticos, mesmo que eles sejam refletidos numa sociedade completamente diferente da nossa.” fonte: http://www.literalmentefalando.com.br/2012/04/o-que-e-distopia.html
Pois bem. Em Delírio, Lauren Oliver cria uma sociedade distópica que foi levada a crer que o amor é uma doença (amor deliria nervosa). O tema “amor” e o gênero distópico tinham tudo pra NÃO dar certo, né? Mas essa ideia de Lauren até que convenceu. A protagonista (e narradora, grrr, não curto muito livros totalmente em primeira pessoa – acho que reduz a visão panorâmica do leitor) é Lena, que na realidade não tem nada demais, nada especial. Espera ansiosamente pelo dia do seu nome (A Guerra dos Tronos feelings =x), dos seus 18 anos, que é quando será curada do amor, para sempre.
Muito tempo atrás, não se sabia que o amor é a pior de todas as doenças. Uma vez instalado na corrente sanguínea, não há como contê-lo. Agora a realidade é outra. A ciência já é capaz de erradicá-lo, e o governo obriga que todos os cidadãos sejam curados ao completar dezoito anos. Lena Haloway está entre os jovens que esperam ansiosamente esse dia. Viver sem a doença é viver sem dor: sem arrebatamento, sem euforia, com tranquilidade e segurança. Depois de curada, ela será encaminhada pelo governo para uma faculdade e um marido lhe será designado. Ela nunca mais precisará se preocupar com o passado que assombra sua família. Lena tem plena confiança de que as imposições das autoridades, como a intervenção cirúrgica, o toque de recolher e as patrulhas-surpresa pela cidade, existem para proteger as pessoas. Faltando apenas algumas semanas para o tratamento, porém, o impensado acontece: Lena se apaixona. Os sintomas são bastante conhecidos, não há como se enganar — mas, depois de experimentá-los, ela ainda escolheria a cura?
Delírio é o primeiro livro de uma série, então por isso achei bem raso... como se fosse uma introdução. E o livro começa leeento, lento; Lena é insossa, submissa e fraca no início e vai tornando-se mais independente, forte e impositiva a cada capítulo.
Apesar de ser distópico, o livro acaba sendo mais voltando para o romance mesmo. E nem é uma coisa tão ruim. Mas acho que estava esperando tanto dele, mas tanto... que no final não me senti tão arrebatada. O fim deixa a gente curioso? Deixa. Muito. Mas achei o desenvolvimento pobre.
A mensagem, no entanto, está lá. Pronta pra ser posta em prática.
Sonhe. Ame. Enquanto pode e o mais intensamente possível.

LAUREN OLIVER foi assistente editorial numa grande editora nova-iorquina. Formada pela Universidade de Chicago e mestre em Fine Arts pela Universidade de Nova York, dedica-se hoje integralmente a seus livros e a novos projetos editoriais — passa boa parte do tempo em trens, ônibus e aviões e escreve sem parar, no notebook ou em guardanapos. Vive no Brooklyn, que chama de “o lugar mais feliz da Terra”, tem dez tatuagens, gosta de cozinhar, bebe café demais e sempre exagera no ketchup.

6 de abr de 2012

Título original: The house of special purpose
Editora: Companhia das Letras
Autora: John Boyne
ISBN: 9788535917109
2010, 1ª edição, 456 páginas


Sabe ‘O menino do pijama listrado’? Sabe ‘Noah foge de casa’? Sabe ‘O garoto no convés’? Pois é, O palácio de inverno é do mesmo autor! Assim, a sinopse oficial conta TUDO e mais um pouco do livro, então cortei umas partes pra vocês conhecerem o romance histórico de John Boyne no geral:
Aos dezesseis anos, em ação impulsiva e atabalhoada,  Geórgui Jachmenev impediu um atentado contra a vida de ninguém menos que o grão-duque Nicolau Nicolaievitch, irmão do czar Nicolau II, que, agradecido, nomeou Geórgui o guarda-costas oficial de seu filho Alexei, destinado a ser o próximo czar. A dura experiência com esse mundo gélido de intrigas palacianas, às quais sempre era jogado contra sua vontade, e de grandes tensões e responsabilidade só foi apaziguada com a chegada do primeiro amor, Zoia. Mas os tempos eram agitados: quando a Revolução Bolchevique tomou de assalto o país, e isolou toda a família do czar numa casa de campo nos arredores de Ekaterinburg, mais uma vez Geórgui teve de agir rápido a fim de salvar a si e a Zoia. A vida com ela lhe custaria pátria, família e prestígio, e ele jamais se arrependeu disso - mas e para Zoia, o que teria custado?
Depois desse ato heroico de Geórgui de salvar o primo do czar, sua vida nunca mais seria a mesma. E é o que ele conta, já idoso e morando em Londres, tendo que cuidar do amor de sua vida, Zoia, sua esposa que está doente.
Apesar de a ambientação das lembranças de Geórgui ser na revolução russa que deu origem à Rússia dos bolcheviques (sendo esta o motivo pelo qual ele fugiu do país natal), a história é de um garoto simples, vindo de uma aldeia simples, ao qual coisas complexas aconteceram. Fora a parte final do livro em que algumas cenas violentas foram descritas, o resto do livro me deu a sensação de estar olhando uma foto em vintage. Entendem o que quero dizer? Ele está apreciando e/ou depreciando as escolhas que fez ao longo da vida, não necessariamente descrevendo a história da revolução, mas que acontecimentos impactaram a vida dele no contratempo.
É uma história sobre construção de caráter, amor, família e, por que não dizer, culpa. Apesar de todos os erros que ele tem consciência de ter cometido, o amor que sente por Zoia acaba por guiar sua vida e o transformando no homem firme, apaixonado e honrado que conhecemos ao longo do livro.
A escrita não-linear dá a impressão de que o final surpreende, quando na verdade não o faz. Fica meio óbvio o ‘segredo’ da história, mas nada que faça com que a descoberta seja decepcionante.
Gosto muito quando um autor pega um tema ‘da realidade’ e o transforma em ficção. Lógico: você não precisa ser um historiador ou um grande conhecedor da área pra gostar de O palácio de inverno, mas se tiver ao menos uma vaga noção, a leitura fica ainda mais majestosa e digna de respeito. Meu respeito a você, John Boyne.
 

John Boyne (nascido em 30 de abril de 1971) é um romancista Irlandês. Ensinou língua inglesa no Trinity College, e Literatura Criativa na Universidade de East Anglia, onde foi galhardoado com o prêmio Curtis Brown. Já escreveu cinco romances e está escrevendo (em 2007) o sexto, assim como uma quantidade de contos que foram publicados em várias antologias e transmitidos por rádio e televisão. Seus romances foram publicadas em 29 idiomas. The Boy in the Striped Pyjamas é um "mais vendido" em Nova York e uma adaptação para o cinema começou a ser filmada em abril de 2007. Boyne reside em Dublim.

1 de abr de 2012
Finalmente uma nova caixinha de correio! Perdoem-me a antipatia e tentem assistir até o fim! :) Ah! Deixem seus emails nos comentários, quem sabe tem surpresas, né?

 Cortesias


Compras


Lidos






28 de mar de 2012

Título original: Sing me to sleep
Editora: Pandorga
Autora: Angela Morrison
ISBN: 9788561784133
2011, 1ª edição, 353 páginas 

Tive oportunidade de ler este livro com o Book tour realizado pelo blog Up Sagas (antigo booksworld) em parceria com a Pandorga, editora que lançou o livro no Brasil.
É um livro intenso e parcialmente baseado em algo que aconteceu de verdade, deixando a história com ainda mais apelo emocional pro leitor. E o plot é basicamente este: menina que se acha muito feia, sofre bullying na escola por isso e só tem um amigo como refúgio. A única coisa que realmente a faz feliz é cantar, o que ela faz muito bem por sinal.
Cante para eu dormir revelará a dura realidade da vida, a energia firme da amizade e mostrará que o verdadeiro amor transcende tudo. O livro conta a história de Beth, uma garota que sofre bullying e passa toda sua infância sendo rejeitada por sua aparência. As únicas pessoas a aceitá-la são sua mãe e seu melhor amigo, Scott. Mas tudo isso fica para trás quando ela é convidada para ser a vocalista do coral da escola e recebe a transformação que lhe dará a oportunidade de conhecer um amor que vai além de tudo, até mesmo da própria vida. Derek é tão lindo, tão doce, tão fantástico que Beth acha que não merece, mas quer experimentar, mesmo estando á milhas de distância. Porém, existem segredos não revelados entre eles. A história reúne as mais profundas emoções humanas: decepções, tristezas, alegrias, amores e paixão, muita paixão, que ficará gravada em cada coração por muito tempo, mesmo depois do término da leitura. 
A Fera. É como Beth é chamada na escola. Ela nutriu tanto a não crença na própria beleza que não acredita em si mesma nem para se aproximar do nerd e amigo desde o jardim de infância Scott, por quem ela vem descobrindo alguns sentimentos diferentes.
Por uma situação do destino, a linda voz de Beth (que vivia escondida nas músicas em conjunto) tem a oportunidade de cantar um solo no coro do qual ela faz parte. E por causa dessa música as meninas vão participar de um concurso na Suíça. E antes dessa viagem, a mãe da menina que não conseguiu cantar o solo que agora é de Beth decide transformar o Patinho feio num lindo cisne. E na Suíça, Beth encontra Derek, um solista de um dos melhores coros que se apaixonou pela voz de Beth.
Não conseguimos não nos apegar aos personagens... Beth é forte, e sua cabeça dura não diminuía sua sensibilidade ao sofrimento; cada ataque a ela era sentido na gente enquanto as páginas são viradas sozinhas. Scott é AQUELE amigo que ama a gente pelo que a gente é, que não liga pro que os outros PENSAM que as coisas são e sabe como são de verdade; aquele que vai estar sempre lá quando se precisa. Já Derek é aquilo que a gente chamaria de ‘passageiro’ à primeira vista, cheio de mistérios e pistas incoerentes, e que no fim derruba a gente de uma maneira dolorosa com seu segredo.
O triângulo amoroso aqui não é do tipo que a gente vira ‘TEAM-FULANO’, por que no fim sofremos tanto junto a Beth que entendemos o porquê seria tão difícil escolher, tão difícil ser feliz apenas com um... Mas mesmo assim, Derek me encantou demais.
A escrita de Angela Morrison é, assim como em todo o livro tem música, lírica, poética, musical, tocante. Gostaria de poder tocar as pessoas do modo que ela fez em Cante para eu dormir. Não se enganem, é um livro triste.
O fim do livro me deixou com aquela ânsia de choro, aquele espírito de procurar justiça. Por que as coisas tem de acontecer assim, afinal? É como minha mãe diz: “a vida sabe o que faz e a gente não sabe o que diz”. Embora em vez de “a vida” ela diga que Deus sabe o que faz kkkk, abafa.
Ah, sim... Tem muita influência religiosa nesse livro, também. Nada que atrapalhe, não me incomodei mesmo. Gostei demais e indico :)

No jardim de infância eu queria ser veterinária, ter dez filhos, e uma centena de gatos. Depois fui para a primeira série e aprendi a escrever. Demorou algumas décadas, mas eu estou vivendo o meu sonho e amando. Eu acabei com um marido maravilhoso, quatro filhos incríveis, e um neto. Nenhum gato. Depois de uma dúzia de anos ao redor do mundo, estamos felizes vivendo na extremidade do deserto de Sonora em Mesa, Arizona.

5 de mar de 2012

Título original: The night circus
Tradução: Claudio CarinaEditora: Intrínseca
Autora: Erin Mogenstern
ISBN: 9788580571608
2012, 1ª edição, 368 páginas

Alguns de vocês devem ter sentido a atmosfera de ‘frisson’ que O circo da noite, lançado hoje pela editora Intrínseca, causou nos bookaholics; Outros só ouviram falar de mágica, romance, batalha... Eu não diria que este livro seja para crianças, pois ele tem um apelo Young Adult bem forte, mas, ao mesmo tempo, não posso classificá-lo como fantasia, sobrenatural, romance... O circo da noite veio para desafiar-nos a lhe dar qualificações. Seja na sua estante, seja no seu coração. A impressão que ficou da obra de Erin, para mim, foi que o grande protagonista foi o circo. E hoje o circo simplesmente está lá. Quando ontem não estava.
Sob suas tendas listradas de preto e branco uma experiência única está prestes a ser revelada: um banquete para os sentidos, um lugar no qual é possível se perder em um Labirinto de Nuvens, vagar por um exuberante Jardim de Gelo, assistir a uma contorcionista tatuada se dobrar até caber em uma pequena caixa de vidro ou deixar-se envolver pelos deliciosos aromas de caramelo e canela que pairam no ar. Por trás de todos os truques e encantos, porém, uma feroz competição está em andamento: um duelo entre dois jovens mágicos, Celia e Marco, treinados desde a infância para participar de um jogo ao qual apenas um deles sobreviverá.À medida que o circo viaja pelo mundo, as façanhas de magia ganham novos e fantásticos contornos. Celia e Marco, porém, encaram tudo como uma maravilhosa parceria. Inocentes, mergulham de cabeça num amor profundo. Mas o jogo tem que continuar, e o destino de todos os envolvidos, do extraordinário elenco circense à plateia, está, assim como os acrobatas acima deles, na corda bamba.

Le cirque de rêves, ou O circo dos sonhos, é um circo vitoriano em preto e branco que será palco da batalha para a qual Celia e Marco vem se preparando para travar desde a infância. O enredo deveria ser focado nessa batalha entre os dois magos, mas por algum motivo (acredito que não intencional) da autora, as melhores partes do livro são as que tem a ver estritamente com o circo; a razão pela qual a batalha existe e até mesmo suas regras ficam obscuras no livro até praticamente o final, e quando é para ser revelado é uma coisa tão simplória que me vi chocada de ser dada tanta atenção ao lado do desafio, da luta, entre os mágicos. Se não fosse pelos outros elementos da história, certamente eu odiaria o livro por este fato.
E ‘os outros elementos da história’ aos quais me refiro estão ligados ao circo dos sonhos. Um circo diferente, que abre quando a noite cai e fecha ao amanhecer... um ‘banquete para os sentidos’. Um circo que dá a cada visitante a oportunidade da criação de sensações únicas, pois a cada visita feita, sempre tem uma nova tenda para ver e a noite nunca será a mesma. A vida nunca será a mesma.
Os fatos são narrados em diferentes linhas de tempo, pois só assim uma história pode adentrar a principal para que o fim aconteça. É tão ‘lento’, num sentido positivo, que é como se você não percebesse que a história está mudando. É, literalmente, como mágica. Uma vez que todos os ângulos da história são revelados, a maioria dos acontecimentos vai fazendo sentido e só se dá conta mesmo depois de vários POV’S (point of views) explorados. É exatamente como mágica. Intrigante até o fim, mas quando se revela você se reprime com um amuado “mas é óbvio, por que não pensei nisso antes?”
Apesar de toda a capacidade que a história teve de ser brilhante, fiquei com a sensação de que teria sido melhor explorada por outras mãos, vamos dizer assim. Os adjetivos que Erin usou na maior parte da descrição do circo foram muito, muito clichês. É claro, foi fluido, passou a sensação que prometeu, mas não me acrescentou muito como leitora, entendem? As sentenças eram literais, mas não tão líricas.
Vamos aos protagonistas...
O que foi isso com Celia e Marco? Por que eles tinham que ser os principais, mesmo? O livro era pra ser sobre eles, em algum momento, mas acabei por não conhecê-los profundamente e, talvez por isso, o romance deles não tenha me convencido o suficiente pra dizer que a rapidez com que as coisas aconteceram foi justificável. E aqui ainda entra a questão da falta de lirismo e profundidade de Erin. Enfim, Celia e Marco, pra mim, foram tediosos.
Já os rêveurs (sonhadores), um grupo de pessoas que ama muito o circo e o segue para onde for, meio que ‘fundado’ por Herr Thiessen (que construiu uma das obras que encanta os visitantes do circo) é um pessoal que agradeço Erin por ter criado... Deu um toque diferente à história, não ficou ‘por aquilo mesmo’ existir um circo tão belo e fascinante.
Poppet, Widget e Bailey (dos quais não posso falar muito) também ganharam meu coração. Me peguei lembrando de Harry Potter nessas horas...
Tenho certeza de que não foi a primeira intenção da autora fazer com que gostássemos mais dos personagens secundários que dos principais, mas fazer o que.
Se você gostou do romance de Twilight/Crepúsculo, vai gostar do romance de O circo da noite. Foi claramente mais bem escrito, mas a situação de amor sem qualquer explicação real tá ali no mesmo aspecto. Enfim, o livro tem muito potencial. Apesar de todos os pontos negativos, o circo e os positivos me ganharam for good.
4 estrelas e favorito nele!

 
ERIN MORGENSTERN é escritora e artista multimídia e define seu trabalho como "conto de fadas de um jeito ou de outro". Erin mora em Massachusetts.

Extras
   
O kit da Intrínseca e até eu de Rêveur/Rêveuse, sei lá!

2sleep