30 de mar de 2011
6 revelations
Já fui da Cegueira à Miopia, passando pela Síndrome Só-Vê-O-Que-Quer.
Nunca estive consciente em nenhum desses estados de saúde críticos...
Quando eu não era capaz de enxergá-Las (As Pessoas, ou Algumas, ainda não sei se posso ou não generalizar), elas existiam. E sempre estavam incrivelmente expostas.
Foi então que peguei a síndrome Só-Vê-O-Que-Quer. Em comparação à Cegueira, ela me permitia ver, com certa distorção, admito, Algumas Pessoas (neste momento, não posso generalizar, mesmo).
Pela lógica da evolução humana, isto deveria ser algo bom, afinal, eu era cega e então eu via! Não foi exatamente como a perfeição de um milagre, por que com a Síndrome, eu via pouco, mal, distorcido e não tinha visão periférica. E é como eu disse: eu não era consciente disso. Pra mim, era tudo tão lindo! Os cachos, a forma da boca, o chocolate derretido dos olhos...
Nunca me curei totalmente desta doença. Ainda hoje não consigo distinguir quando sinto seus sintomas. Sei que é algo que há de me acompanhar para toda vida. E isto é preocupante.
Mas a coisa interessante mesmo é a tal Miopia.
Ela, que só me deixa enxergar de bem perto, me faz querer ficar próxima demais Delas (As Pessoas) se eu quiser saber quem Elas são e o que estão querendo me dizer.
Sabe, eu fico pensando sobre os olhos de algumas dessas pessoas... (não sobre suas cores, formatos ou se eles são um pouquinho estrábicos, mas até que isso seria charmoso...), será que eles tem problemas? Será que, assim como os meus, os olhos deles só veem o que querem ver? Será que os olhos deles só querem enxergar um corpo bem feito, uma ‘bela linha lombar’, alguns 50 e poucos cm de cada coxa e outros tantos dotes de uma mulher, não vou mentir: bonita?
(Eu esperava que os olhos de vocês não tivessem notado a mudança de gênero de olhos nas últimas frases, mas caso tenham: a quantidade de homens cegos e com Síndrome Só-Vê-O-Que-Quer neste mundo é tão grande!)
Pelo menos eu admito que sou doente...
Mas me permito enxergar não apenas com estas sonhadoras íris brilhantes... Como diria a raposa ao Pequeno Príncipe: “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos.”
E é por isso que, mesmo doente, eu vejo bem; que, mesmo cega, eu via; que, mesmo com os olhos vendo o que queriam, eu enxergava longe... contradizendo minha miopia e sua imposição à minha vista curta.
Ainda bem que meu coração enxerga. Só espero que ele não tenha problemas de visão também... aí eu peço as contas de vez.
Que de cego: já basta o amor.

14 de mar de 2011
1 revelations
Hoje vou falar de um livro muito emocionante chamado “Adeus, China”. Ele conta uma história real de superação e, sobretudo, de determinação que começou no Nordeste da China. É a vida do bailarino Li Cunxin. Não me apedrejem se aqui eu falo muito de ballet... é Black Swan pra cá, Adeus, China pra lá, ou se eu sou devota demais e exagero um pouquinho em algumas coisas; mas não tem como negar que tanto Black Swan quanto a história do nosso livro da vez NÃO TEM aquela romantização do ballet clássico, aquela imagem que veio sendo lamentavelmente construída ao longo do tempo de que as mães levam suas filhinhas (sim, por que só mulher pode fazer ballet, né? -.-) pro ballet, pra dançarem no fim do ano com roupinhas brilhantes.
Dança não é isso, meu povo... Mas como diria Lily no Cisne Negro: ballet “is just not for everyone”. ponto.

Continuando… Li Cunxin era uma criança chinesa qualquer. Pobre, pertencente a uma família camponesa sem quaisquer expectativas de um futuro melhor, morava numa vila em condições precárias. Sobreviviam com pouco dinheiro e muito trabalho. Certo dia, porém, pessoas diferentes apareceram na escola. Eram os delegados culturais da Madame Mao que buscavam camponeses para denotar a visão artística de Mao para a China. Como um acaso do destino e sem nenhuma razão aparente, quando os delegados já estavam de saída, sua professora apontou-o e perguntou: “Que tal aquele dali?”
Muito mais que um relato sobre um garoto pobre da província de Qingdao, escolhido para fazer parte da Academia de Dança de Pequim, Adeus China é uma história de coragem, determinação, família e amor. Unindo histórias de sua infância com o panorama político do país que passava pela Revolução Comunista, sob o comando de Mao Tsé-tung, Li Cunxin descreve de maneira vívida e intensa seus anos de árduo treinamento e suas impressões do ocidente.

A primeira parte do livro concentra-se na história da família Li que, pelo grande número de filhos, fica resignada a se alimentar apenas de inhames secos, e dos bolinhos que a niang (mãe) fazia em datas especiais. O amor de mãe da niang e a força e coragem do dia (pai) são os responsáveis pela educação recebida por Cunxin e seus irmãos, fato que será determinante no seu sucesso na dança. A ida de Li à escola mostra como a educação foi encarada pelos seguidores de Mao. O tradicional livro vermelho é o companheiro inseparável de Li. A segunda parte já é na Academia de Madame Mao e a terceira é sobre como Li conquista a ‘liberdade’, e vai para a América, conhece os encantos do Ocidente e dessa maneira descobre que a cruel imagem deste país criada na China era completamente errada. Sendo assim, é desertado e só voltaria ao país de origem muitos anos depois...
A história desse homem vitorioso, escrita de forma simples e tocante é um bestseller na Austrália, onde Adeus, China venceu o Book of the Year Award. Nos Estados Unidos, o livro recebeu o Christopher Award for Literature e foi um dos finalistas do National Biography Award. Publicado em mais de 20 países, Adeus China já se tornou roteiro cinematográfico pelas mãos dos produtores de Shine – Brilhante. Já é um próximo filme que desejo baixar!

Li Cunxin foi um grande bailarino, mas, desde 1999, após uma lesão, trabalha no mercado de ações. Vive na Austrália com a esposa Mary e três filhos. Adeus, China é considerada pela crítica internacional uma história de determinação, integridade e amor, repleta de valiosas lições de coragem e esperança. Recomendo aqueles que procuram uma narração fluida, que prende o leitor, cheia de emoção e sem frescurinha demais.
That’s it... muito bom!

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