3 de jan de 2011
Depois de ‘Comer, Rezar, Amar’ comecei ‘1822’ de Laurentino Gomes, mesmo autor de 1808 (que eu pretendia ler antes de 1822 por motivos óbvios, mas que minha vastíssima cidade em termos literários –n não dispunha antes daquele volume).

Posso dizer que depois de 1822 só fiquei com mais vontade ainda de ler 1808, absolutamente o melhor livro de História que já li. “Um livro que se lê com um sorriso nos lábios” Mary Del Priore.

1822 – Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado.


Resultado de três anos de pesquisas e composta por 22 capítulos intercalados por ilustrações de fatos e personagens da época, a obra  cobre um período de quatorze anos, entre 1821, data do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, e 1834, ano da morte do imperador Pedro I. “Este livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente em 1822”, explica o autor. “A Independência resultou de uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e também de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos”.

Com linguagem acessível e minúcias sobre a vida dos personagens, o livro é decorrência natural de sua primeira obra, 1808, e trata justamente da conseqüência da vinda da corte portuguesa: a independência do Brasil. O grande protagonista, logicamente, é D. Pedro (I no Brasil, IV em Portugal). Longe do tratamento excessivamente idealizado dos nossos livros didáticos, nem também totalmente caricaturado ou debochado como naquela minissérie da Globo ‘O Quinto dos Infernos’, 1822 traz a humanização dos personagens na medida exata. Claro que o autor não deixa de fora os episódios constrangedores, mas ainda assim humanos, que fizeram parte da História e ou é cortado da História “oficial” ou é tratado de maneira totalmente jocosa afim de apenas provocar o riso pelos manipulativos meios de comunicação. Exemplo disso foi a desinteria de D. Pedro a caminho do Grito do Ipiranga (que não foi nem de longe aquela pintura magnífica de Pedro Américo).

Para o livro 1822 autor leu e consultou cerca de 170 livros e outras obras de referências sobre o tema no Brasil e em Portugal. Também percorreu diversos locais dos acontecimentos ligados à Independência do Brasil e à vida de D. Pedro I nesses dois países.
Entre outros lugares, refez o caminho percorrido por D. Pedro do Rio de Janeiro a São Paulo na véspera do Grito do Ipiranga, em 1822. Também esteve no Piauí, local da Batalha do Jenipapo, travada no dia 13 de março de 1823 e na qual morreram cerca de 400 brasileiros lutando contra uma bem armada e treinada tropa portuguesa. Está aí um grande ponto positivo da obra: a desmitificação de que a independência do Brasil foi pacífica. Laurentino descreve a guerra que se seguiu ao grito do Ipiranga, o cerco na Bahia, a guerra em Pernambuco, a invasão do Maranhão pelo Lord Cochrane, o louco por dinheiro, e a batalha de Jenipapo. Quantos brasileiros morreram pela causa de manter o país unido? Pensar que a Independência foi pacífica é enganação.
Outro ponto muito positivo de “1822” é a descrição da Guerra Civil portuguesa durante a de 1832 a 1834 entre os irmãos, D. Pedro e D. Miguel; e em Portugal, o autor visitou o Arquipélago dos Açores e as linhas de trincheiras do Cerco do Porto, onde ocorreu a guerra. “O trabalho de campo é o que diferencia um livro reportagem como este. A técnica jornalística permite observar esses locais e constatar que, apesar da grande distância no tempo, eles contêm ainda hoje informações relevantes”, destaca o autor.
Nem precisa falar de como foi gostoso de ler! Uma narrativa sensível desde a descrição das profundas transformações no mundo inteiro, com as Revoluções Francesa, Industrial e a Independência dos EUA, até os conflitos com a metrópole lusitana, a linguagem não era cansativa. Só achei estranho a bibliografia depois de cada capítulo, tirou um pouco o aspecto de ‘história’, se é que vocês me entendem, mas nada que atrapalhasse, não.
“O jornalista tem que ser muito didático, a linguagem tem de ser acessível, mas a pesquisa tem que ser muito aprofundada (...) eu acho que ninguém precisa sofrer pra estudar História no Brasil” Laurentino Gomes.
Enfim, o livro recebe um ÓTIMO (aí embaixo tem muito bom, mas é só pra enfatizar, brinks, eu que errei mesmo kkkkkk), 5 'estrelinhas', que não é lá grande coisa em se tratando de uma leitora como eu, mas amei! kkkkkkk Será que vem um “1889” por aí? Vamos esperar a República pelo olhar jornalístico da Laurentino Gomes? Tomara. É isso aí, umas 320 poucas páginas de pura História brasileira, como você nunca leu antes. #recomendo.


Curiosidades mencionadas na obra 1822
  • Os preparativos e os projetos conflitantes para a Independência;
  • A ação da Maçonaria no país;
  • A pressão enfrentada por D. Pedro durante o primeiro reinado, suas inúmeras amantes e filhos, boêmio e sujeito pitoresco;
  • Características dos personagens (D. Pedro, Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, José Bonifácio, a Marquesa de Santos, o herói maldito Lord Cochrane, saqueador de cidades e louco por dinheiro);
  • O país que tinha tudo para dar errado, mas deu certo (se comparado a determinadas condições de outros países);
  • As origens da corrupção, do Estado ineficiente, os ladrões que estavam no poder,
  • A Bahia é o Estado brasileiro que mais comemora a Independência do Brasil;
  • Como os brasileiros de hoje encaram o seu passado.

Sobre o autor
Laurentino (que nome lindo kkkkkkkkkk ^^) que quando criança levava o almoço para o pai na roça nos arredores de Maringá, norte do Paraná, se sentava à sombra de um pé de café e, entre uma garfada e outra do pai, ouvia o que lhe falava sobre os romanos e a Igreja Católica. O menino, de os olhos atentos e imaginação fluindo, ficava fascinado com tudo o que ouvia. Eram seus primeiros contatos com a História e ele não fazia a mais remota ideia de que fosse trabalhar justamente com o tema. Antes de ser mecânico, vendedor e metalúrgico e dar início à carreira de jornalista, seguiu a tradição da família mineira de, como filho mais velho, ser padre. Logo viu que não tinha vocação, voltando pra casa em 1969, três anos depois de sua partida.
“Trabalhei no Estado do Paraná, aí entrei na sucursal de Curitiba do Estado de São Paulo. Em 1984, entrei na editora Abril, fui trabalhar na Veja. Ali fiz um tour pelo Brasil, saí de Curitiba, fui trabalhar em Belém, cobrindo toda a região amazônica. Eu era um repórter cobrindo 57% do território brasileiro (risos) (...) E finalmente cheguei a São Paulo, que é a cidade onde morei durante 20 anos. Tive quatro filhos, e eles foram nascendo país afora: dois em Curitiba, um em Belém e um em São Paulo. Em 1988 fui para o Estadão, trabalhei no Estadão e no Jornal da Tarde, como editor de política e geral. Em 1990 voltei para a Abril, para fazer as Vejinhas regionais, fiquei até 2001. Aí fui dirigir revista feminina, Cláudia, Elle, Nova, Manequim, Capricho, depois revistas populares, revistas masculinas, decoração e arquitetura. Fiz pós-graduação em administração na USP, para aprender a administrar empresa de comunicação.”
  Autor de 1808 sobre a fuga da família real portuguesa para o Brasil, ganhou o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em duas categorias: Melhor Livro-reportagem do ano e Livro do Ano de Não Ficção. Também eleita o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras, a obra permaneceu 3 anos consecutivos na lista dos livros mais vendidos de Portugal e do Brasil.

2 revelations:

Felipe Guedes Pinheiro disse...

Fiquei com ainda mais vontade de ler estes livros após seu post.
Sou um pouco averso a alguns pontos da história do país, políticos, principalmente. Foram estes que me fizeram optar por Engenharia e não um curso relacionado as relações humanas. No fim não fugi desta minha paixão por tentar entender o porque de agirmos de uma ou de outra forma mas continuo bastante distante de livros de história brasileira ou de discussões sobre a política atual do país... aos poucos vou tentando perder este receio... acho que estes livros por você indicados posso melhorar um pouco! rss

Grande abraço e parabéns pelo blog! Já estou seguindo, vou acompanhar sempre pelo meu reader!

bjinho
:]

Andrezza disse...

ata, acho que existe uma ligação peptidica entre nós! kkkkk
estou lendo 1808 nesse exato momento e ja estou com 1822 esperando na cabeçeira para ser lido logo após!
ameeei o post!
e, só pra vc deixar de ser lesa: Na Avon vende 1808 sabe? deviaa ter comprado a mim!=P hehe

=*

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